Vale a pena ter um profissional de finanças pessoais? 8 pontos para avaliar
Por Sergio Monteiro Jr., Planejador Financeiro Pessoal e Familiar, CFP® (Planejar) · CEA (Anbima) · Especialista em Seguros de Vida e Previdência (Susep)
Publicado originalmente em · Atualizado em
Já imaginou ter um profissional para te acompanhar com suas finanças pessoais?
Neste artigo reúno 8 situações comuns para você avaliar se faz sentido contar com um planejador financeiro — e o que esperar desse trabalho. É um conteúdo educativo; cada caso é individual.
1- Não tenho tempo para organizar minhas finanças
Tempo é o recurso mais importante em nossa vida. Todos os outros conseguimos de certa forma guardar ou criar, porém tempo não.
Primeiramente, gostaria de fazer uma reflexão: Passamos a maior parte de nossas vidas trabalhando, a grosso modo, trocando tempo por dinheiro. Quando não estamos trabalhando queremos aproveitar o máximo do tempo, não é mesmo? Você já deve ter ouvido que dinheiro é igual a liberdade. Quanto mais dinheiro, mais podemos escolher entre o que queremos e o que não queremos fazer, certo?
Não faria sentido tentar organizar o patrimônio para que o tempo gasto trabalhando seja usado da melhor forma possível? Com organização, fica mais fácil tomar decisões com clareza, evitar desperdícios e construir liberdade financeira ao longo do tempo.
Um planejador ou consultor pode ajudar nisso: com metodologia e ferramentas, você tende a gastar menos tempo organizando as finanças e a criar um processo para isso.
2- Não gosto do assunto economia e finanças
Economia e finanças é um assunto que exige base e conhecimento, e muitas pessoas se afastam do tema por não querer gastar esse tempo. Além disso, principalmente no Brasil, onde falar de dinheiro ainda é tabu, muita gente “não gosta” de conversar sobre isso.
Pode ser um caso para buscar apoio profissional: alguém que ajude a organizar o patrimônio, traduzir decisões financeiras e criar um processo que faça sentido para a sua realidade.
3- Não tenho conhecimento suficiente
Eu não conheço nada sobre medicina. Quando tenho um problema de saúde, procuro um médico, certo? O mesmo acontece sobre exercício físico: quando quis melhorar minha performance na corrida, procurei um instrutor de corrida experiente. Mas e quando o assunto é finanças? Você recorre a quem?
Finanças pessoais também não é um assunto tão simples quanto parece. Muitos cursos na internet mostram caminhos possíveis, mas um planejador financeiro pessoal pode ajudar a adaptar a conversa aos seus interesses, necessidades e momento de vida. Você não precisa se tornar especialista nem acompanhar o mercado 24 horas por dia. Precisa entender o suficiente para tomar decisões melhores.
4- Não conheço um profissional de finanças pessoais
No Brasil, o profissional de finanças pessoais ainda é relativamente novo para muita gente. Nos Estados Unidos, o tema já é mais difundido: um levantamento citado pela Investopedia, com dados da Gallup, apontou que 41% dos adultos americanos usam financial advisors ou planners. O próprio CFP Board mantém o LetsMakeAPlan.org, um site voltado ao público para explicar planejamento financeiro e ajudar consumidores a encontrar profissionais com certificação CFP®. Por aqui, a Planejar vem fazendo um trabalho importante para divulgar cada vez mais o planejamento financeiro e a certificação CFP® no Brasil. Ainda temos um longo caminho pela frente.
Acima de tudo procure por indicações de amigos, se ninguém conhecer, procure na internet. Já existem profissionais que criam conteúdo sobre planejamento financeiro pessoal nas redes sociais e empresas que têm planejadores associados para realizar o serviço.
Quando encontrar o profissional, procure pelas suas qualificações e certificações, e verifique quais são os valores que ele acredita. Entenda se aquele profissional está alinhado com as suas crenças e compartilha dos mesmos objetivos que você.
5- Não tenho renda e/ou investimentos suficientes
É certo que, ao longo da vida, nossa renda, nossos custos e nossos objetivos mudam. Em alguns momentos, ter um profissional para auxiliar e capacitar pode ajudar bastante na tomada de decisão.
Por isso, vale olhar para o planejamento financeiro como um processo de organização e aprendizado, não apenas como uma despesa. Se você esperar ter uma renda muito alta ou investimentos muito relevantes para procurar ajuda, talvez adie por anos uma conversa que já poderia trazer clareza.
6- Já tenho um profissional de finanças pessoais (assessor de investimentos ou gerente do banco)
Como vimos no item 1, ter um profissional pode ajudar a organizar o caminho até os seus objetivos. Mas vale entender a diferença entre planejador, consultor, assessor e gerente, e ter duas coisas em mente ao contratar: transparência e conflito de interesse.
Sempre que algum profissional de finanças te ajudar, questione de onde vem a remuneração e como ele é remunerado. Pode ser que determinado produto pague mais comissão para o profissional, mas não seja necessariamente o mais adequado para os seus interesses. Esse conflito não torna o trabalho automaticamente ruim, mas precisa estar claro para você.
7- Não sei por onde começar
Quero que pense na última habilidade que aprendeu. Pode ser um exercício, um instrumento musical, dirigir o carro… como você era no início? Bom? Acredito que não.
Além disso, o planejador acompanha e ajuda a antecipar os obstáculos que podem aparecer e a superá-los. São diversas áreas a analisar, e contar com alguém experiente costuma economizar tempo e dinheiro nessa jornada.
8- Já tenho uma estratégia para minhas finanças pessoais que sigo há muito tempo
Muito bom! Entendo que você sabe a importância de ter um planejamento financeiro e colocou em prática. Mas e o monitoramento?
Quanto está rendendo em juros reais? Quanto você está exposto em economia brasileira e global?
Conforme os anos foram passando, principalmente após a nova constituição do nosso país, muita coisa mudou. O que funcionava para nossos pais e avós já não funciona do mesmo jeito. Algumas mudanças foram positivas: o controle da inflação trouxe a necessidade de nos planejarmos a longo prazo. Por outro lado, não temos mais os mesmos ganhos em renda fixa altos como era antigamente.
Portanto, faça uma revisão periódica de seus investimentos, como se fosse um check-up da sua saúde financeira. Eu te pergunto: quando foi a última vez que fez uma avaliação completa da sua saúde? E da sua saúde FINANCEIRA?
Conclusão
Enfim, ter um profissional para auxiliar nas finanças pessoais foi, por muito tempo, algo mais acessível para famílias de maior patrimônio. No entanto, a tecnologia e novos modelos de atendimento vêm tornando esse serviço mais acessível e democrático.
Vemos também que, com a complexidade da economia e dos mercados financeiros, faz sentido contar com profissionais qualificados, não apenas no ramo financeiro, mas também em áreas como contabilidade, direito, entre outras.
Por fim, vale reforçar: este conteúdo é educativo e não substitui uma análise individual. O serviço de planejamento financeiro é contratado à parte, por contrato próprio — você encontra mais sobre isso na página Sobre.
Conteúdo educativo. Não constitui recomendação de investimento nem consultoria financeira individualizada. As decisões são de responsabilidade de quem as toma.